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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Às vezes
De vez em quando eu tenho vontade de choramingar no blog. Juro que tenho.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Um banquinho, um violão...
BENDITO VIOLÃO
Fabrício Carpinejar
Nunca toquei violão e sempre quis.
Não tive coragem de pedir para a mãe ou o pai.
Contei ainda com o azar de ninguém me ensinar, estender o instrumento sem cerimônia e me orientar: "segura aqui, segura assim, é fácil".
A poesia ficou sendo uma música mais barata.
Escrevi para Reynaldo Bessa: o violão desenforca os homens. São cordas para salvar as pessoas da solidão, do nó do desespero. O violão é um antídoto contra o suicídio, o mais eficaz inventado até hoje.
A tendência do bilhete de suicida é virar letra, o sujeito animar-se com a melodia e esquecer as idéias macabras.
Como alguém vai se matar segurando as canções com os próprios dedos? É como dar colo a um bebê. Uma responsabilidade frágil.
A música reabre o nascimento.
Ao esticar as cordas, aumentamos a altura do timbre. Para quem já cresceu tudo o que podia, é um jeito do corpo prosseguir avançando. Um centímetro de voz por noite. É uma infância que não termina de dormir. Com violão, homem feito ou não alça sua estatura de noite. E aparece muito maior de dia.
No colégio, era o amigo do “amigo do violão”. Nas festas de desconhecidos, ele não precisava se apresentar. Logo fazia empatia e trocava risadas antigas na varanda com o aniversariante (mesmo sendo a primeira vez que o via).
Muito menos dependia de cumprimentos nas reuniões da turma. Com o estojo nas costas, já recebia a cerveja e o lugar de destaque no sofá. As meninas o paparicavam, exagerando nos beiços e advérbios, insistindo que apresentasse os sucessos do momento. Ele argumentava:
- Agora não, depois! E levantava o corpo gelado com displicência.
Considerava sua afirmação um luxo de poder.
- Agora não, depois!
Ele mandava no tempo. O resto da festa tornava-se uma espera ansiosa. Os outros reparavam nos seus gestos, procurando adivinhar a decisão e antever o caminho dos seus braços.
Eu permanecia escorado na parede da cozinha entre a personalidade de penetra e a de garçom. Um pouco de ciúme de não ser ele. Um pouco de orgulho por ser amigo dele.
O violão é um confidente. Vejo minha filha conversar com o instrumento. Fala cada coisa para ele que nem sonho.
Não importa. Ela me promoveu. Vou melhorando de vida. Agora eu sou o pai da menina que toca violão.
*********************************
Esse texto é muito a cara do meu pai. Ele sempre teve baquetas em casa, mas NUNCA tocou bateria, e sei que de uma forma ou de outra eu tocar alguns instrumentos (só 2) é um motivo de orgulho pra ele. Porque é uma das coisas que ele mais pergunta pra mim: e aí filha tem tocado? Mesmo que ele nunca ouça as músicas que eu fiz, as primeiras que eu tirei no violão eram das bandas que ele me ensinou a gostar, e depois claro, tirar Roberto Carlos, pra agradar minha vó. =D
Fabrício Carpinejar
Nunca toquei violão e sempre quis.
Não tive coragem de pedir para a mãe ou o pai.
Contei ainda com o azar de ninguém me ensinar, estender o instrumento sem cerimônia e me orientar: "segura aqui, segura assim, é fácil".
A poesia ficou sendo uma música mais barata.
Escrevi para Reynaldo Bessa: o violão desenforca os homens. São cordas para salvar as pessoas da solidão, do nó do desespero. O violão é um antídoto contra o suicídio, o mais eficaz inventado até hoje.
A tendência do bilhete de suicida é virar letra, o sujeito animar-se com a melodia e esquecer as idéias macabras.
Como alguém vai se matar segurando as canções com os próprios dedos? É como dar colo a um bebê. Uma responsabilidade frágil.
A música reabre o nascimento.
Ao esticar as cordas, aumentamos a altura do timbre. Para quem já cresceu tudo o que podia, é um jeito do corpo prosseguir avançando. Um centímetro de voz por noite. É uma infância que não termina de dormir. Com violão, homem feito ou não alça sua estatura de noite. E aparece muito maior de dia.
No colégio, era o amigo do “amigo do violão”. Nas festas de desconhecidos, ele não precisava se apresentar. Logo fazia empatia e trocava risadas antigas na varanda com o aniversariante (mesmo sendo a primeira vez que o via).
Muito menos dependia de cumprimentos nas reuniões da turma. Com o estojo nas costas, já recebia a cerveja e o lugar de destaque no sofá. As meninas o paparicavam, exagerando nos beiços e advérbios, insistindo que apresentasse os sucessos do momento. Ele argumentava:
- Agora não, depois! E levantava o corpo gelado com displicência.
Considerava sua afirmação um luxo de poder.
- Agora não, depois!
Ele mandava no tempo. O resto da festa tornava-se uma espera ansiosa. Os outros reparavam nos seus gestos, procurando adivinhar a decisão e antever o caminho dos seus braços.
Eu permanecia escorado na parede da cozinha entre a personalidade de penetra e a de garçom. Um pouco de ciúme de não ser ele. Um pouco de orgulho por ser amigo dele.
O violão é um confidente. Vejo minha filha conversar com o instrumento. Fala cada coisa para ele que nem sonho.
Não importa. Ela me promoveu. Vou melhorando de vida. Agora eu sou o pai da menina que toca violão.
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Esse texto é muito a cara do meu pai. Ele sempre teve baquetas em casa, mas NUNCA tocou bateria, e sei que de uma forma ou de outra eu tocar alguns instrumentos (só 2) é um motivo de orgulho pra ele. Porque é uma das coisas que ele mais pergunta pra mim: e aí filha tem tocado? Mesmo que ele nunca ouça as músicas que eu fiz, as primeiras que eu tirei no violão eram das bandas que ele me ensinou a gostar, e depois claro, tirar Roberto Carlos, pra agradar minha vó. =D
Apesar da qualidade ruim da foto, essa sou eu, com 20 anos, num ensaio, em um lugar que era parecido com uma sala de aula!
Essa é minha mão, aos 18/19 anos!
Eu tô com uma vontade gigante de tocar, mas olhe que arrebentou uma corda e embora eu tenha cordas novas eu tenho uma preguiça enorme de trocar, é muito chato fazer isso. E quem geralmente trocava pra mim, não quero ver nem pintado de ouro, então... fica difícil!
=/
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