Quarta-feira, Dezembro 9

-São pensamentos soltos traduzidos em palavras - JQ


"Quando alguém diz que está com medo,
não cogita que o maior medo é o da alegria."
Fabrício Carpinejar



ela encontrou nos braços dele o conforto, o lugar onde as lágrimas poderiam cair e não mais tocá-la. Em seu peito recostando a cabeça, as pálpebras cançadas da dor de encontrar quem parece ele e nunca ser o verdadeiro, ela pode chorar. acordando do sonho bom já um pouco mais feliz do que quando havia ido deitar, ainda tinha dúvidas, ainda tinha medos. conversando com o ex esta manhã ela percebeu como tem marcado a vida das pessoas e pode sorrir. ainda que ela não o tenha amado como gostaria, ainda que o tenha magoado, chateado ele continuava a amá-la, da maneira mais pura, a amizade. ainda que ele soubesse que ela hoje sonhava com outro, tão diferente e tão igual, importava a ele que ela fosse feliz. e ela tinha medo disso, ele soube, quando ela por medo deu fim precoce aquele relacionamento feliz de poucos dias. e ele soube que apesar de tudo ela tinha medo de ser feliz. andando pela vida, ela encontrou alguém parecido com ela. que embora não confesse deve ter o mesmo medo. medo de ser feliz.

e então ele, que não era o ex, abriu seu coração. durante aquela conversa demorada e séria. ele contou seus medos, seus defeitos, seus anseios. ela pode olhar fundo em seus olhos e entender o porque daquele tempo todo perdido sem estar ao lado dele. e ela pode chorar por ver em alguém tudo que dentro dela se escondia. uma vida toda pra dentro, diria Caio Fernando Abreu. um amor todo calado. há dias em que ela sussurra algo como"gosto de você" para o celular já desligado. há dias, quando ele não toca, que ela sente que não há reciprocidade, e simplesmente não há.

ela quer abrir seu coração da forma mais direta possível, quer dizer o que sente, o que pensa como sente. mas não há chance. não há momento. - eu nunca sei em que parte da conversa dizer que te amo - e simplesmente não quer mais esperar. ela não quer. ela não pode. ela não vai. apesar de todas as palavras que ela disse, e ela fala e escreve muito, ainda há coisas para serem ditas, sentimentos para serem revelados, medos e anseios para serem expostos. ainda há amor para viver. sorrisos para sorrir e se não der certo, - tudo bem eu acho que nós chegamos tão perto. só quer dar o amor o direito de tentar nascer. Tentar antes de dizer não deu.


Luana Gabriela
09/12/2009


Terça-feira, Dezembro 8

[Please, Please, Please Let Me Get What I Want] The Smiths


"Depois de todas as tempestades e naufrágios,
o que fica de mim em mim
é cada vez mais essencial e verdadeiro."
Caio Fernando Abreu


Jamais serei como fui. Jamais amarei como da primeira vez. Jamais sentirei a dor da perda como da primeira vez. Jamais sonharei tanto. Jamais esperarei tanto de mim, da vida, dos outros. Jamais escreverei sem pudor como antes. Jamais olharei minha mãe, meu pai, minha irmã, como antes. Não sou quem fui e jamais tornarei a ser. Nem mais triste, nem mais alegre. Simplesmente menos intensa. Menos dada a dramas, romances, entregas, verdades. Basta olhar em meus olhos, não precisará ser muito atento para perceber. Os abraços já não são os mesmos, já não digo “eu te amo” com a facilidade de quem ama sem ter medo. Eu apenas sussurro, com a distância, “eu te amo”. Tenho medo de amar demais, a mãe, o pai, a irmã. Tenho medo de me amar de menos. Hoje, com quase 22 anos, não sei dizer se sou realista demais ou sonhadora demais. Sem saber quantos dias ainda me restam, porque ninguém sabe ao certo, eu não sei como viver. Até onde vale a pena toda a dedicação, toda a entrega? E essa busca por uma vida melhor, baseada no desenvolvimento intelectual, no aumento de riquezas? O que é uma vida melhor? E toda verdade empiricamente aprendida, e todos os sonhos deixados para trás e nunca esquecidos, e toda dor que se acumula em palavras tantas preenchendo páginas e páginas que nunca serão lidas, para onde vai toda a minha vida? E todo esse medo de sonhar de novo, de chorar de novo. E esse medo de fazer planos, de lutar e perder mais uma vez. O que faço com tudo isso que sinto e não me permito, e não me permitem viver? O que eu faço com essa vida que não é o que eu queria mas ainda assim é minha?

Luana Gabriela
06/12/2009


"Tenho agradecido por estar vivo
e ter andado por todos os lugares onde andei
e ter vivido tudo o que vivi
e ser exatamente como eu sou."

Caio Fernando Abreu
Trilha:Sweet Disposition
[Um momento, um amor
Um sonho em voz alta
Um beijo, um grito
Nossos acertos, nossos erros
Então fique aí
Porque eu já estou vindo
E ao mesmo tempo em que o nosso sangue ainda jovem
Tão jovem
Corre
E não vamos parar até que isto acabe
Não vai parar de se render]

Sexta-feira, Dezembro 4

[ Tem gengibre? Acabou! ]


O amor termina quando a ausência já não desperta saudade, já não doi. O amor termina quando a vontade de estar junto se transforma em cobrança, em costume. O amor termina quando não há docilidade na voz, entrega no olhar, coração disparado. O amor termina quando a novidade desaparece, quando não mais se surpreendem. O amor termina quando não se quer mais agradar o outro e apenas ser agradado. O amor termina quando começam as comparações, as disputas, quando ele deixa de ser único, quando ela não é mais tão diferente da ex. O amor termina quando um só aproxima a mão, quando um só fala, quando um só finge ouvir, quando um só sonha. O amor termina quando não há mais espaço para dois no caminho escolhido. Há estradas que devem ser trilhadas na solidão. As trilhas não suportam mãos dadas. O amor termina quando está calor demais para dar as mãos, quando está frio demais para dar as mãos. O amor termina quando não há mais preocupação, há só o medo. Medo de perder, o ciúme. O amor termina quando a confiança e o respeito deixaram a relação primeiro. Nenhum amor suporta a desconfiança e a falta de respeito. O amor termina onde começa o “tanto faz”. O amor termina quando o esforço para estar junto, o espaço curto entre as agendas, o tempo corrido, não vale mais a pena. O amor termina quando não há mais espaços vagos. Aquele amor no coração foi partindo, aos poucos. É sempre devagar que o amor termina. Não é de um dia para outro. O amor termina quando não se espera mais nada do outro. Tudo de bom já veio e tudo de ruim também. Não há mais nada. O amor termina quando não há. Não há mais as mesmas pessoas do começo. Não há a mesma disposição, a mesma vontade. Simplesmente não há mais. Nunca sabemos quando o amor começa. Mas sabemos exatamente onde ele termina.
Luana Gabriela
04/12/2009


Trilha: Janta – Marcelo Camelo
[Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade
Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir]

- Me explica, que às vezes tenho medo - CFA



"Noite de janelas semiabertas para acolher um sinal da primavera. Noite de cobertores e lembranças que deixam dúvidas e um sabor um pouco mais amargo na boca. Niki gira de um lado para o outro. O passado às vezes torna os travesseiros incômodos. Mas o que é o amor? Existe uma regra, uma forma, uma receita? Ou tudo é casual e você só deve esperar ter sorte? Perguntas difíceis enquanto o relógio...assinala a meia-noite."

"Desculpa se te chamo de amor"
Frederico Moccia

Quarta-feira, Dezembro 2

[ perceba que não tem como saber ]


"Mas eu estou sentindo falta de muita coisa.
Então, quando é que eu desisto
do que venho desejando?"

[Down - Jason Walker]


Entendo que é difícil expressar o que sentimos, especialmente quando temos medo do que sentimos. Talvez por que seja algo desconhecido, não é amor também não é amizade. Não é nada convencional, nem aplicável. Eu escrevi um dia, ainda me lembro, que o que eu sentia era tão novo pra mim que eu batizaria o sentimento com seu nome. Mas não importa agora como você se chama. Me importa saber como você gostaria que eu te chamasse. Seria demais apropriar-me quem sabe do pronome possessivo, meu? Pronome possessivo, só o nome me assusta. Não gosta de ser chamada assim: minha filha, minha amiga, minha namorada. Uma vez disseram algo parecido com “minha namorada” doeu. Juro que não foi por mal. É que não pertenço a mim mesma, como posso pertencer a outro alguém? Mas como eu gostaria de te chamar de meu. Não, nada de meu namorado. Meu amor. Por que o amor é meu, querendo você ou não. Meu é aquilo que conquistei, comprei, ganhei. E uma pessoa não pode ser comprada. Mas pensando bem pode ser conquistada, e pode se dar (doar) a outro alguém. Ah, esquece! O que importa não é o pronome antes do que dirá. O que importa é o que dirá. Se pudesses ouvir – ler – o que penso enquanto o telefone não toca. Ou enquanto ele toca, e é qualquer outra voz que não a sua, dizendo tudo o que eu queria ouvir da sua boca.. Mas pensamentos não devem ser lidos. Então não mais os escreverei. E sentimentos. Sentimentos podem ser lidos? Alguma vez conseguiu ler o meu olhar? Ou sou tão enigmática para você quanto você é pra mim? Duvido. Mas eu sei, é difícil de ler depois que imaginamos cenas, sentimentos, diálogos. Temos escolha. Tornar as cenas boas parte do filme de nossa vida, ou deixá-las no roteiro, só no papel. Não cumpri minha promessa de esperar meu antigo amor a vida inteira, será que também não cumprirei a que me fiz com relação a você? Não vou esperar. Foi o que eu me disse. Foi o que me convenci. Não cumpro promessas é fato. Mas até quando conseguirei mentir para mim? E esperar algo que não vem? Não virá. Nunca quis vir. Iludida. Palavra certa. Por meus próprios desejos e minhas escolhas que deveriam ser racionais. Há algo de racional trocar quem não te quer por outro que só parece querer? Não há. Não há nada de lógico em amar. Mas aqui estou eu de novo falando de um amor que não sinto e racionalmente não sentirei. Aqui estou eu com meu coração em chamas, derretendo o gelo de outrora, aqui estou eu falando do que não entendo e ouvindo como resposta mais um silêncio.

Luana Gabriela
02/12/2009