sábado, 25 de fevereiro de 2012

Um banquinho, um violão...

BENDITO VIOLÃO 
Fabrício Carpinejar 

Nunca toquei violão e sempre quis. 

Não tive coragem de pedir para a mãe ou o pai. 

Contei ainda com o azar de ninguém me ensinar, estender o instrumento sem cerimônia e me orientar: "segura aqui, segura assim, é fácil". 

A poesia ficou sendo uma música mais barata. 

Escrevi para Reynaldo Bessa: o violão desenforca os homens. São cordas para salvar as pessoas da solidão, do nó do desespero. O violão é um antídoto contra o suicídio, o mais eficaz inventado até hoje. 

A tendência do bilhete de suicida é virar letra, o sujeito animar-se com a melodia e esquecer as idéias macabras. 

Como alguém vai se matar segurando as canções com os próprios dedos? É como dar colo a um bebê. Uma responsabilidade frágil. 

A música reabre o nascimento. 

Ao esticar as cordas, aumentamos a altura do timbre. Para quem já cresceu tudo o que podia, é um jeito do corpo prosseguir avançando. Um centímetro de voz por noite. É uma infância que não termina de dormir. Com violão, homem feito ou não alça sua estatura de noite. E aparece muito maior de dia. 

No colégio, era o amigo do “amigo do violão”. Nas festas de desconhecidos, ele não precisava se apresentar. Logo fazia empatia e trocava risadas antigas na varanda com o aniversariante (mesmo sendo a primeira vez que o via). 

Muito menos dependia de cumprimentos nas reuniões da turma. Com o estojo nas costas, já recebia a cerveja e o lugar de destaque no sofá. As meninas o paparicavam, exagerando nos beiços e advérbios, insistindo que apresentasse os sucessos do momento. Ele argumentava: 

- Agora não, depois! E levantava o corpo gelado com displicência. 

Considerava sua afirmação um luxo de poder. 

- Agora não, depois! 

Ele mandava no tempo. O resto da festa tornava-se uma espera ansiosa. Os outros reparavam nos seus gestos, procurando adivinhar a decisão e antever o caminho dos seus braços. 

Eu permanecia escorado na parede da cozinha entre a personalidade de penetra e a de garçom. Um pouco de ciúme de não ser ele. Um pouco de orgulho por ser amigo dele. 

O violão é um confidente. Vejo minha filha conversar com o instrumento. Fala cada coisa para ele que nem sonho. 

Não importa. Ela me promoveu. Vou melhorando de vida. Agora eu sou o pai da menina que toca violão.


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Esse texto é muito a cara do meu pai. Ele sempre teve baquetas em casa, mas NUNCA tocou bateria, e sei que de uma forma ou de outra eu tocar alguns instrumentos (só 2) é um motivo de orgulho pra ele. Porque é uma das coisas que ele mais pergunta pra mim: e aí filha tem tocado? Mesmo que ele nunca ouça as músicas que eu fiz, as primeiras que eu tirei no violão eram das bandas que ele me ensinou a gostar, e depois claro, tirar Roberto Carlos, pra agradar minha vó. =D 


 Apesar da qualidade ruim da foto, essa sou eu, com 20 anos, num ensaio, em um lugar que era parecido com uma sala de aula! 

Essa é minha mão, aos 18/19 anos!

Eu tô com uma vontade gigante de tocar, mas olhe que arrebentou uma corda e embora eu tenha cordas novas eu tenho uma preguiça enorme de trocar, é muito chato fazer isso. E quem geralmente trocava pra mim, não quero ver nem pintado de ouro, então... fica difícil! 

=/

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Recomeçar

Fecho os olhos pra me levantar e esquecer o que passou. A falta que você me faz é do passado que existiu, o que ficou...
Na minha solidão, não estou só, me sinto assim...Não posso ser só um, sempre terei você em mim...
As dúvidas que estão aqui tentando convencer-me que aquilo que você falou ainda dói em mim
Janeiro acabou...
Não devo nem tentar muito menos desistir...Não posso ser um só, sempre terei, recomeçar...
Recomeçar!
Janeiro - Sugar Kane


Não importa o quanto o tempo passe, o quanto os janeiros que passaram tenham sido diferentes, essa música SEMPRE me diz algo sobre o janeiro. E eu sempre fico feliz que ele tenha acabado.
Agora eu posso recomeçar!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Entre aspas I

"Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais."


Gabito Nunes em Atos Falhos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Quase aniver

Eeeeeeeeee! Estou na data pré-aniversário. Portanto, bem sensível. Hoje depois de fazer a unha, sobrancelha e blá, a minha manicure me abraçou e falou coisas bonitas, quase chorei, depois olhando descobri que também estou de TPM. Ou seja choradeira está por vir. Já comecei a ganhar presentes hoje também, de uma amiga da escola em que trabalho, e olha que hoje era aniver dela também. Também era da minha vó, que decidiu não fugir pra praia como ela sempre faz, mas ficar por aqui e fazer um jantarzinho. Enfim, acabei de ler um texto que achei lindo. Especialmente o final e queria compartilhar! Depois do texto uma tirinha que quando me der na loca, eu poderia tatuar.

=D

Namore uma garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.


Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico

Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

 By Macanudo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sweet

Ganhei carinho de uma das minhas alunas hoje! Semana passada também ganhei, adesivos coloridos e balas (foto do Luan Santana (oi?)), dela e de uma amiga. Hoje ganhei marshmallows coloridos no espeto, com direito a morango e estrelas. Não chorei porque não tô na TPM se não... 



Sweet Class